• CORRIMENTO GENITAL NA INFÂNCIA
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    CORRIMENTO GENITAL NA INFÂNCIA

    <p>A presença de corrimento genital na infância é uma fonte de preocupação para a maioria das mães. De fato, nesta idade, o corrimento não pode ser considerado fisiológico, ou seja, aquele decorrente de estimulação hormonal, branco, sem sintomas. Então por que uma criança teria corrimento? A maioria dos corrimentos nesta faixa etária é decorrente de um desequilíbrio da flora genital associado a hábitos de higiene (dificuldade na limpeza após evacuação, manipulação dos genitais com mãozinhas sujas, etc) e facilitado pelas condições anatômicas nesta idade. No entanto, embora menos freqüente, o corrimento pode ter uma causa específica: contaminação proveniente de bactérias do trato respiratório, garganta, intestinal, e claro, por uma DST (infecção de transmissão sexual). Aspectos anatômicos da genitália infantil Como a criança ainda não tem estimulo hormonal pelo estrogênio (que só vai acontecer na puberdade), os órgãos genitais são desprovidos de pêlos pubianos (que protegem a entrada da vagina), os grandes e pequenos lábios são atrofiados e, por conseguinte, há uma maior proximidade entre o ânus e a vagina, que ficam no mesmo plano (veja a figura ao lado). Esta proximidade entre o ânus e a vagina favorece a migração de germes provenientes do intestino. A vagina também fica vulnerável à entrada de corpos estranhos (grão de areia, pedacinho de papel higiênico, etc). É importante frisar que mesmo na infância, a vagina não é um ambiente estéril (sem bactérias), mas ela apresenta uma porção de bactérias e fungos que não causam doença e vivem em harmonia. Por alguma razão, quando este equilíbrio é quebrado pode aparecer corrimento vaginal anormal. Como se caracterizam os corrimentos vaginais na criança? As vulvovaginites (infecções da vulva e da vagina) na infância se manifestam na forma de corrimento amarelo esverdeado, acompanhado ou não por coceira, assadura, ardência, e mais raramente ele pode vir com sangue. As vezes o corrimento aparece num dia, e após medidas de higiene ele pode desaparecer, voltando em episódios isolados. Geralmente este tipo de corrimento não apresenta nenhum agente especifico envolvido, e por esta razão, o uso de sabonetes líquidos, com ação bactericida podem resolver. Mas as vezes mesmo a higiene adequada não é suficiente para melhorar o corrimento, e neste caso deve ser investigado qual a causa especifica. Para isso é preciso que a criança seja submetida a coleta de material vaginal. Como é feita a coleta de material vaginal numa criança? O tamanho da abertura da vagina é variável e o exame é indolor, não causando nenhuma alteração hímen. A coleta do material é feita com material adequado para criança, sem traumatizá-la e nem machucá-la e para isto é importante obtermos a colaboração da mesma. Se a menina estiver muito assustada na primeira vez, é preferível protelarmos a coleta para uma segunda consulta ao invés de procedermos a um exame forçado. Este material obtido é analisado quanto a presença de bactérias patogênicas e de acordo com o resultado o tratamento pode necessitar o uso de antibióticos. Portanto a simples presença de bactérias em um exame não significa necessariamente doença. Considere as seguintes situações que favorecem as infecções genitais: Quando a criança utiliza um vaso sanitário de adulto, ela não alcança o vaso sem o auxilio das mãos, fato que leva a contaminação das mãos nos assentos sanitários. Além disso, ao terminar suas necessidades ela também usa as mãos e se “arrasta no assento para sair do vaso. Por isso uma criança não deve sentar-se em banheiros públicos. E em casa onde tem criança, os vasos sanitários devem ser bem higienizados. Na escola o papel higiênico pode estar em falta ou difícil para a menina alcançar quando vai ao banheiro, e por isso a higiene depois do “xixi e do cocô” nem sempre é boa. Além disso, com a pressa de brincar ela nem presta atenção na higiene correta - “coisas de criança!”. A criança não presta atenção se as suas mãozinhas estão limpas quando sente algum desconforto vulvar, ela vai coçar sem se importar se estava brincando na terra, com animais, ou mesmo se “colocou o dedinho no nariz”. Quando elas brincam na praia as calcinhas freqüentemente podem estar cheias de areia, e ao coçar os genitais a criança empurra para dentro da vagina estes grãozinhos de areia. Por isso após banho de mar é preciso trocar o maio e lavar com água corrente ou chuveirinho para remover a areia. Veja que é muito fácil a criança contaminar sua região genital nas diversas situações do seu dia-a-dia. Aqui vão algumas orientações úteis: 1- Manter unhas curtas e limpas. 2-Lembre-se que na escola as crianças vão ao banheiro sozinhas. Portanto mais importante do que você mesma limpar é supervisionar se ela se limpa direito e reforçar o modo correto de se limpar após fazer cocô (de frente para trás). 3- Após o banho (caso ela tome banho sozinha) supervisione se as “dobrinhas“ da vulva foram limpas corretamente e não apresentam uma “massinha branca” depositada nos lábios vaginais. Esta secreção acumulada causa coceira e mau cheiro. Complemente a limpeza com lencinho umedecido. 4-Faça banhos de assento (com chuveirinho preferencialmente) usando sabonete neutro (daqueles usados em bebê) pelo menos 2 x por dia (incluindo o banho) trocando a calcinha após o mesmo. 5-Mantenha na pia do banheiro um sabonete líquido com ação bactericida (ele ajuda a “matar os micróbios”) para ser usado na lavagem das mãos e nos banhos de assento depois de fazer cocô. 6- Dê preferência aos sabonetes líquidos, pois tem menos chance de contaminação, além de terem um pH mais ajustado e ideal para a região genital. Se apesar de todos esses cuidados ela ainda apresentar corrimento, marque consulta para que um médico possa investigar. As informações contidas nesta matéria têm caráter informativo. O seu conteúdo não deve ser utilizado para autodiagnóstico, autotratamento e automedicação. Em caso de dúvida, um profissional médico deverá ser consultado.</p>